Papéis de gênero e atuação exagerada diante da violência institucional: experiências de familiares de pessoas privadas de liberdade no Chile que participam do programa de reintegração social Renacimiento
DOI:
https://doi.org/10.32735/S0718-6568/2024-N68-3255Palavras-chave:
Reinserção social, violência institucional, papéis de género, agência, hiperatoresResumo
Neste artigo exploramos os papéis que familiares de pessoas privadas de liberdade desempenham durante o encarceramento, a partir da experiência dos participantes do programa psicossocial Renacimiento. O programa é uma iniciativa municipal que visa apoiar processos de reinserção social de pessoas residentes na comuna de Puente Alto que estão ou estiveram encarceradas. Utilizando abordagem qualitativa, tendo como método a teoria fundamentada nos dados e epistemologias feministas, realizamos 5 oficinas e 5 entrevistas semiestruturadas, ambas voltadas a familiares de pessoas privadas de liberdade participantes do programa durante 2023. Dentre os achados, destacamos que o os familiares eram todos mulheres, que atuam em três esferas: privada, pública e prisional; desempenhando papéis fundamentais na reintegração social e na proteção de direitos durante o encarceramento. As narrativas das entrevistas reflectem tensões relativas aos papéis de género, que se combinam com actos de compensação económica, jurídica e emocional. Utilizando as sociologias do indivíduo, argumentamos que os familiares tornaram-se hiperatores diante da violência institucional, revelando os efeitos da atual crise carcerária no Chile.